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ROMPENDO BARREIRAS COM A CUMBIA - ENTREVISTA COM CUMBIA ALL STARS

Cumbia All Stars é praticamente um tributo ao fenômeno da cumbia, originalmente da Colômbia, mas que nas raízes nos subúrbios de Lima, capital peruana, até as terras distantes da Selva Amazônica, numa fusão com o rock psicodélico e outro ritmos latinos, adquiriu um novo formato através da mistura de melodias delirantes, guitarras virtuosas e ricas percussões, provavelmente essa última herança africana do estilo. A Cumbia All Stars é reunião de mestres da cumbia peruana inovando e compondo novas melodias sem perder a essência da tradição.

O showcase que o grupo vai fazer no Porto Musical marca a estreia deles nos palcos brasileiros e tenta aproximar o público daqui com a sonoridade latina sem fronteiras. Nesta entrevista, Lucho Carrillo, vocalista da banda, fala da formação do grupo, suas viagens e o que esperam da programação do Porto Musical.

* Como vocês se encontraram para formar o grupo?
Lucho Carrillo - O grupo foi criado na edição de 2012 do Festival Selvamonos. Um festival maravilhoso de música e arte que acontece anualmente em junho, próximo à floresta amazônica no Peru. Os produtores reuniram os integrantes e sugeriram que a gente tocasse junto fazendo um show especial no festival. Acho que todos ficaram entusiasmados com a ideia de tocar a música que a gente tanto gosta. Já nos conhecíamos pela nossa reputação e alguns já tocaram juntos no passado, mas mesmo assim, foi um desafio formar um grupo com tanta individualidade e personalidades fortes.

* Por que vocês tocam cumbia, um ritmo que não tem origem no Peru?
Lucho Carrillo - A cumbia chegou no Peru da Colômbia em meados dos anos 50, então, todos nós crescemos escutando esse ritmo. No Peru, e principalmente em Lima, através de um dos portos mais importantes da América do Sul que sempre recebeu ritmos de fora (de Cuba, Caribe e Colômbia). No fim dos anos 60 e no início dos anos 70 começamos a tocar em diferentes bandas e a cumbia daqui tomou uma direção própria que era muito peculiar e genuína. Guitarras substituíram a safona e os metais e assim nasceu a cumbia peruana. Gerações de peruanos cresceram com a cumbia peruana e a transformaram em um ritmo local, apesar de ser um ritmo adotado.

* Qual a diferença entre a cumbia que vocês tocam e a cumbia tradicional?
Lucho Carrillo - A cumbia que a gente toca é uma mistura de várias influências. A diferença principal da cumbia colombiana é a formação que se parece mais com uma banda de rock do que com uma orquestra latina e sua instrumentação (a guitarra é o instrumento principal com influência do surf rock). Além disso, nossa música é influenciada por ritmos cubanos como Huarachas que nos dá um groove diferente.

* Vocês tocaram na WOMEX em 2013 e apresentaram a sua música a um universo maior que está interessado nos ritmos e faixas que poderiam ser comercializados no mercado em certos momentos. Como vocês avaliam as chances comerciais da cumbia com o público que não é latino e do mainstream?
Lucho Carrillo - Achamos que a cumbia, particularmente a cumbia peruana, é uma música acessível a qualquer público. É um ritmo para dançar, extremamente comunicativo e a alegria e energia que trazemos para nossos shows são universais. Além de algumas influências em nossa música, que são conhecidas no mundo inteiro: a maneira de tocar a guitarra, por exemplo.

* Como vocês souberam do Porto Musical e por que se inscreveram?
Lucho Carrillo - Ouvimos falar que o Porto Musical era uma ótima vitrine para promover a nossa música no exterior, especialmente na América Latina. Tocaremos pela primeira vez no Brasil e isso é muito importante para nós.

* Quais são as suas expectativas para o show no Recife onde vocês vão tocar em um evento que reúne produtores internacionais e o público que está esperando pelo carnaval?
Lucho Carrillo - Estamos ansiosos para tocar no Recife. Além dos profissionais que estarão lá, estamos muito curiosos para ver a reação do público brasileiro.

* O Brasil é um país com dimensões continentais que tem pouco diálogo com os países vizinhos. Como vocês veem a sua participação aqui e o que vocês podem fazer para reduzir essa distância entre o Brasil e a América Latina?
Lucho Carrillo - É verdade que o Brasil sempre foi culturalmente isolado do resto da América Latina (e vice-versa). No caso da cumbia peruana é interessante, uma vez que ela foi desenvolvida em parte na bacia do rio Amazonas, onde há fortes conexões com o Brasil. Tenho certeza que o público brasileiro vai reconhecer o baião em uma música que dedicamos a ele em nosso show.

PORTO MUSICAL
SHOWCASE - CUMBIA ALL STARS (Peru)
PRAÇA DO ARSENAL - SEXTA – 06/Fev – 22h
Aberto ao público
Mais informações: www.portomusical.com.br