03 02

APRESENTANDO A MÚSICA BRASILEIRA AO PÚBLICO NORTE-AMERICANO

APRESENTANDO A MÚSICA BRASILEIRA AO PÚBLICO NORTE-AMERICANO

A carioca Paula Abreu vive em Nova York desde 2010. Como Gerente de Programação da City Parks Foundation, ela é co-responsável pela curadoria e programação musical e educacional do SummerStage, festival anual de grande prestígio no verão nova-iorquino que engloba outros renomados festivais como o Brasil SummerFest. Até alcançar este cargo, Paula começou como assistente do Diretor Executivo do órgão no início de 2012, quando ainda estava terminando o mestrado em Administração de Artes Performaticas na NYU.

Nesta edição do Porto Musical, Paula Abreu será uma das convidadas do evento para ministrar o workshop “Dicas e Segredos para Realizar Turnês na Europa e nos EUA” ao lado da francesa Corinne Serrès do selo Mad Minute Music. Em entrevista realizada antes de sua chegada ao Porto Musical, a produtora conta sobre sua experiência na curadoria do Brasil SummerFest e de sua visão de como anda o mercado de música brasileira para exportação.

* No Porto Musical é possível encontrar tanto artistas novos quanto produtores experientes mas que nunca se arriscaram em uma carreira internacional. Você poderia resumir rapidamente no que poderia contribuir para ajudar a estes artistas no workshop?
Paula Abreu: Vou trazer informações práticas e um pouco da minha experiência e histórias e que tenho vivido nesses cinco anos de NY. Não há uma fórmula exata de como fazer uma carreira internacional dar certo. Cada artista e cada trabalho é uma história diferente, mas certamente existem pontos-chave que devem ser observados por qualquer profissional com a intenção de apresentar seu trabalho nos EUA. Por exemplo, a empreitada de se organizar uma turnê pode ser trabalhosa e desgastante, portanto é importante ter uma estratégia clara e objetivos bem definidos. Para isso, é fundamental conhecer o mercado e seus compradores, desenvolver relacionamentos relevantes, se inteirar dos aspectos legais como visto e impostos, etc. Vou cobrir tópicos como estes, com dicas e histórias que possam servir de exemplo.

* Seu workshop fala em dicas para realizar turnês nos Estados Unidos. Quais as maiores dificuldades que artistas encontram no planejamento de turnês no país?
Paula Abreu: Uma das maiores dificuldades, no meu ponto de vista, é a parte econômica. Montar uma turnê que cubra todos os custos e que seja financeiramente favorável é certamente um desafio. E isso vale tanto para artistas novos e quanto para estabelecidos. A realidade é que muitas vezes as oportunidades no Brasil são mais atraentes financeiramente do que nos EUA. Em geral, a decisão do artista de apresentar o seu trabalho na América do Norte deve ser fundamentada em um trabalho de longo prazo em que se colherá retorno após alguns anos. Além dessa dificuldade, também existe a barreira cultural e da língua. Certamente há uma abertura maior para a música brasileira em cidades americanas que tenham uma comunidade brasileira representativa.

* Pensando na programação do Brasil Summerfest, como é a articulação com as casas de shows e com os artistas brasileiros interessados em se apresentar? Você tem uma preocupação na hora que vê a grade e sente que está contemplada a diversidade musical brasileira?
Paula Abreu: Há sim uma preocupação quanto à diversidade musical brasileira, assim como quanto ao equilíbrio entre artistas novos e estabelecidos. O foco to Brasil SummerFest é apresentar ao público de Nova York o que é atual, novo e ‘exciting’ na música brasileira, da forma mais diversificada possível. Temos o cuidado de pesquisar e sugerir às casas e festivais com os quais trabalhamos artistas que se encaixem na filosofia de programação da casa/festival em geral. Basicamente fazemos o processo de curadoria junto às casas/festivais e intermediamos a produção e logística na vinda dos artistas. Nestes 5 anos de festival estabelecemos uma reputação importante na cidade de NY e uma relação de respeito e confiança com as casas/festivais parceiros. A relação com o artista também é muito importante. Recebemos interesses de diversos artistas e temos a preocupação de convidar/sugerir o artista cujo trabalho pensamos ser o mais adequado ao público de NY e com sólido potencial de desenvolvimento de carreira internacional.

* A exportação de talentos musicais brasileiros para o mercado estrangeiro ainda é um pouco tímida. Em médio e longo prazo, quais poderiam ser as medidas mais eficazes para promover a música brasileira no mercado internacional?
Paula Abreu: Como um dos maiores desafios é a barreira econômica, penso que deve existir um maior investimento público ou de agências para fomentar o interesse pela cultura brasileira. Os benefícios do exercício da diplomacia cultural são indiretos, mas extremamente significativos. Dentre as possibilidades de investimento, existem diferentes medidas que podem ser exploradas: o apoio a vinda de artistas, treinamento a profissionais da área, o suporte a feiras e conferências locais, como o Porto Musical. Percebo que parte desse trabalho já vem sendo feita pela BM&A e acredito estar no caminho certo e com grande oportunidade de crescimento.

* O Porto Musical está chegando à sétima edição. É uma convenção que promove encontros entre profissionais de diversas partes do mundo e mostra cases interessantes de cooperação internacional. De que forma você enxerga esses eventos e no que eles podem contribuir para replicar novos projetos?
Paula Abreu: Eventos como o Porto Musical são fundamentais para acelerar o crescimento da exportação da música brasileira e internacional e para promover a troca cultural. O contato pessoal de produtores internacionais com artistas locais proporcionado por eventos desse tipo é único e de valor inestimável. A oportunidade de estar imerso no contexto cultural dos artistas e o tempo que os produtores passam no local permitem a criação de relacionamentos sólidos e de longo prazo. Além disso, há grande troca entre os próprios produtores resultando muitas vezes em novas ideias para festivais, parcerias e projetos. Uma vez ouvi a frase: “O negócio é resultado das relações humanas” (Mário Lúcio de Sousa, Ministro da Cultura de Cabo Verde). Não há melhor definição para o poder desses eventos.

PORTO MUSICAL
QUINTA – 05/02 - TEATRO HERMILO BORBA FILHO
14h00 às 16h00 - WORKSHOP - "Dicas e segredos para realizar turnês na Europa e nos EUA" - Com Corinne Serres (França) e Paula Abreu (BR/EUA)
Entrada para inscritos e participantes do evento
Mais informações: www.portomusical.com.br

http://pernambuco.ig.com.br/cultura/2015/paula-abreu-ensina-levar-musica-brasileira-para-fora