29 01

Entrevista: Monique Badaró

Entrevista: Monique Badaró

Especialista em Relações Internacionais, Monique Badaró chefiou desde 2007 a coordenação do Bahia Music Export, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Desde 1989 desenvolve pesquisas e estudos ad hoc sobre diversos temas, entre os quais relações culturais internacionais e mobilidade artística internacional, tendo publicado em revistas do Brasil e do exterior. Monique estará ao lado de Jody Gillett e Crispin Parry na conferência "Estudo de Caso Brasil/UK Colaboração Criativa: Bass Culture Clash - Uma troca transatlântica", que acontece no sábado (07) às 14h00 no Teatro Apolo.

O Bahia Music Export surgiu em 2010 e integra o Programa de Apoio à Mobilidade Artística e cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Tem como objetivo impulsionar a internacionalização da música independente do Estado. Por meio de um conjunto de ações articuladas, busca qualificar os agentes do setor, realiza ações promocionais em feiras setoriais no Brasil e exterior, promove projetos colaborativos e de intercâmbio internacional, de maneira a contribuir para a inserção dos artistas baianos e sua criação musical no Mercado Internacional. Nesta entrevista, ela fala acerca do projeto Bahia Music Export, sua importância e as colaborações internacionais na exportação de talentos brasileiros.

* A exportação de talentos musicais brasileiros para o mercado estrangeiro ainda é um pouco tímida. Quais seriam as medidas mais eficazes para promover a música brasileira no mercado internacional?
Monique Badaró - Cada Estado deveria ter programas como o Bahia Music Export que desenvolve ações continuadas e integradas de promoção internacional. É muito importante reunir um conjunto de estratégias e ações, começando com a capacitação dos agentes da cadeia produtiva da música para atuar no mercado internacional, passando pelas ações diretas de promoção comercial (participação em feiras, produção de material promocional), e o apoio a turnês.

* Como você enxerga a cooperação com o projeto Bass Culture Clash e outros projetos similares de trocas de talentos entre artistas e produtores?
Monique Badaró - O Bass Culture Clash permitiu não só a aproximação entre artistas de contextos culturais diversos mas que apresentam afinidades e identificações estéticas e musicais, a troca de informações, conhecimentos, experiências, formação de rede e realização de projetos colaborativos, como também dar visibilidade local, nacional e internacional a artistas da cena independente da Bahia.

* O que você tem visto de melhorias no mercado cultural brasileiro tanto para artistas novos quanto para os que estão consolidados?
Monique Badaró - As oportunidades de mobilidade internacional do setor artístico cultural vêm aumentando (proliferam mecanismos de apoio e fomento à circulação e intercâmbio internacionais), proporcionando não só acesso a novos mercados, a novos públicos, a novas tecnologias como também difusão de novos conhecimentos e construção de capacidades para se adaptar às novas exigências, aos novos modelos de negócios.

* O Porto Musical está chegando à sétima edição. É uma convenção que promove encontros entre profissionais de diversas partes do mundo e mostra cases interessantes de cooperação internacional. De que forma você enxerga esses eventos e no que eles podem contribuir para replicar novos projetos?
Monique Badaró - A troca de informação, experiência e conhecimentos sobre o estado da criação musical e mesmo sobre as tendências do mercado, negócios, oportunidades, etc; a formação e ampliação de contatos e redes, os projetos colaborativos são fundamentais para aprendizagem e inovação. Encontros como estes favorecem realmente processos de formação e estimula a experimentação artística, a fusão, a inovação.